segunda-feira, 06 de setembro de 2010

Entrevista especial com Pitty


"Mesmo que seja estranho, seja voc?"

Roqueira de atitude e personalidade, baiana Pitty conquista o p?blico com suas m?sicas.

Pitty ? radical e cheia de tatuagens e piercings, mas ? considerada uma roqueira de atitude. Atitude essa que fez com que seu primeiro trabalho independente atingisse em cheio as r?dios englobando todo p?blico brasileiro, caindo, dessa forma, no gosto da garotada.

S? pra ter id?ia, o primeiro single, "M?scara", j? ? um fen?meno no pa?s e tem presen?a garantida na trilha sonora virtual de blogs de teens (aqueles di?rios virtuais que substitu?ram a velha agenda transbordando de recortes).

Com muita personalidade, versos como("O importante ? ser voc?/ Mesmo que seja estranho, seja voc?/ Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro"), t?m encantado os adolescentes que se identificaram rapidamente com a m?sica. Nascida em Porto Seguro, essa baiana est? revolucionando a cena independente no pa?s. Tem mostrado acima de tudo que, com muito trabalho e persist?ncia, as coisas podem mudar rapidamente.

Ex-vocalista da banda de hardcore Inkoma, ela quer mostrar que na Bahia n?o tem s? ax? e promete por seu g?nero no lugar certo: nas paradas, onde as m?sicas de seu primeiro CD, Admir?vel Chip Novo, j? figuram. Mas Pitty faz quest?o de ressaltar que esse projeto atual n?o ? encarado como algo solo e sim como uma banda, pois confia nos m?sicos Peu (guitarra e viol?es), Dunga (baixo) e Duda Machado (bateria), que juntos formam uma fam?lia promissora. Pitty agarrou com unhas e dentes a chance de poder mostrar o seu trabalho.

E chance essa que caiu do c?u gra?as a um telefonema do ex-integrante do grupo Baba C?smica, Rafael Ramos - produtor de bandas como Ultraje a Rigor, Jo?o Donato, Ritchie e Raimundos. Ele ? filho de Jo?o Augusto, diretor art?stico e dono da Deck Disc, gravadora que tem lan?ado boas novidades no mercado. Rafael, at? ent?o f? do Inkoma (ex-banda de Pitty), ligou para cantora a fim de ouvir as novas composi??es dela. Ele gostou tanto que assinou a produ??o de ?Admir?vel Chip Novo?. Vale lembrar que o nome do ?lbum ? uma refer?ncia ao livro de Aldous Huxley, 'Admir?vel Mundo Novo?, considerado um cl?ssico da fic??o cient?fica. Tanto ele quanto Stanley Kubrick, Isaac Asimov e George Orwell est?o na lista de agradecimentos da Pitty como "profetas". "Admir?vel Chip Novo" ? rock'n'roll do come?o ao fim. O disco contrap?e a voz marcante de Pitty a um som pesado, guiado por uma guitarra empolgante com bastante dinamismo.Tem hardcore, metal, punk e industrial. Al?m disso, o trabalho conta com participa??es mais do que especiais.

O produtor e ex-mutante Liminha toca uma linha de baixo linda na balada "Equalize" e Jaques Morelembaum empresta seu celo a "Temporal", faixa que mais destoa do resto do disco e que lembra os arranjos setentistas de A Barca do Sol.

Lafanet: Conte um pouco sobre a sua carreira e como Pitty surgiu?
Comecei no Inkoma, uma banda de HC aqui de Salvador. Quando a banda acabou eu continuei compondo, sozinha, e um dia eu falei com o Rafa ( Rafael Ramos, produtor do disco), e resolvemos gravar.

Lafanet: Como voc? se sentiu quando o seu primeiro single "M?scara" come?ou a despontar pra todo Brasil, mesmo sabendo que Salvador, sua terra, a cena rock n'roll ? pequena?
Fiquei de cara. Principalmente de saber que as pessoas estavam ligando na r?dio e pedindo a m?sica, isso eu n?o podia imaginar. Salvador tem muitas bandas legais de rock, s? a galera do underground conhece.

Lafanet: Fale pra gente o que voc? quis mostrar na m?sica M?scara que est? no topo das paradas de todo pa?s?
? s? um desabafo, muito pessoal. Eu vivo de saco cheio dessa hist?ria de ter q ser de determinado jeito sen?o ? taxado de anormal. De ter que usar a cor da moda, e de ter que fazer o que a m?dia te imp?e. Eu quero ter a liberdade de me assumir do jeito que eu sou, mesmo sendo imperfeita, pass?vel de falhas, ou seja humana.

Lafanet: Muitos classificam voc? como uma pessoa com bastante atitude. Essa ? uma de suas principais caracteristicas mesmo?
N?o sei, a? ? mais f?cil algu?m de fora analisar. Eu me considero uma pessoa guerreira,como tantos outros.

Lafanet: Pitty nasceu como um projeto solo. Hoje voc? j? tem uma banda definida. A tend?ncia ? continuar assim ou pensa numa carreira solo?
Nunca pensei numa carreira solo. O nome ficou Pitty porque na ?poca eu n?o tinha uma banda formada e n?o queria mentir. Est? virando banda porque a tendencia ? essa mesmo. Primeiro a gente tem que saber se se aguenta, se se completa, isso ? uma banda. E a? s? o tempo...

Lafanet: Quais as principais diferen?as do seu trabalho anterior com a banda Inkoma pra esse atual?
No Inkoma o som era mais r?pido, gritada?o, e agora tem outras influ?ncias, e eu t? mais focada em melodias.

Lafanet: Fale um pouco sobre o seu primeiro cd, intitulado Admir?vel Chip Novo.
? um disco estranho. As m?sicas s?o pesadas, timbres densos, mas rolam melodias e sutilezas em alguns momentos. ? um disco sincero.

Lafanet: Voc? encontrou muito preconceito no mundo da m?sica por causa do seu estilo?
Digamos que o rock n?o ? uma coisa popularesca, ent?o existe esse desafio. Que ? tornar seu som popular ( conhecido por muitos) sem chegar a ser pop de prateleira(m?sica descart?vel, f?cil). ? vender sem ser vendido. ? um grande desafio.

Lafanet: Quais s?o seus pr?ximos planos dentro da m?sica?
Sair tocando e ser uma banda cada vez melhor. Fazer m?sica que toque as pessoas.

Lafanet: Deixe uma mensagem pra todos os seus f?s e internautas do Lafanet.
Valeu a todos pelo apoio, e ? isso, t? na nossa m?o fortalecer a boa m?sica do nosso pa?s. Alimentando a cena do jeito que for poss?vel. Beijos a todos!



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